domingo, 9 de dezembro de 2012

Mais um café gelado, por favor

Peço um café grande, para dar tempo de terminar esse texto sem dormir. Nunca gostei de café. Café dá vontade de fumar e eu não fumo. Encontrei esse rascunho naquele caderno velho. Inacabado como tudo que começo. Estou no mesmo lugar onde te encontrei pela primeira vez sentado bebendo numa noite de inverno quente. Sim, com você, tudo preserva o encanto, o nervosismo e a delicadeza das primeiras vezes. Você não pode dizer nada: não está aqui. A vida tem sido vivida assim, um dia de cada vez. Eu até costumava não criar expectativas com medo da decepção, mas já faz tempo que você subiu por essas escadas e me pagou uma bebida, os dias seguintes foram bons com a intensidade que eu quis. Nossa relação nasceu para não nascer. Você não pode imaginar a agonia, a angústia que é para uma pessoa orgulhosa como eu, assumir gostos. Gosto de ti. Só de pensar: sufoco-me, entorno o café, pago a conta e apago minhas complicações sentimentais que é pra não acabar com o que eu jurava completo nesse texto inacabado.