terça-feira, 25 de março de 2014

Sobre chaleiras quentes e geminhas moles

Sou assim, viciado em vícios.
Um gosto bizarro e incontrolável por maus hábitos.
Gosto de enlouquecer as vezes, seja sóbrio ou bêbado.
Pareço uma chaleira fervendo o tempo todo que por vezes precisa apitar pro mundo baixar o fogo por algum tempo.
Mas que sempre volta a ficar quente.
Quente pra porra...
Não consigo evitar, é a maneira que mais amo de viver minha vida.
E não consigo deixar de olhar para as vidas chatas de pessoas medíocres, certinhas, que tentam o tempo todo não surtar pra serem aceitas.
No meu bairro, no metrô, nas ruas, na televisão, até mesmo nas baladas onde vão sei lá porque, sentam num canto na hora que chegam e só levantam os rabos na hora de irem embora...
No meu mapa de existência mundial elas estão marcadas com a cor cinza e representam as áreas idiotas e nada divertidas.
E isso não tem nada a ver com ser bem louco, com encher a lata e tudo mais.
Tenho amigos que nem cerveja tomam e que piram mais que qualquer alcoólatra que conheço.
Tem a ver com o jeito que a gente encara a vida, saca?
Fico pensando que essas pessoas chatas devem trepar só de luz apagada pra não olharem umas nos olhos das outras e apensas pela necessidade de cagar mais chatinhos no mundo pra cuidar de toda grana que enfiaram a vida toda no rabo de algum banqueiro chato e tiveram a oportunidade de gastar aos 80 e poucos anos de idade.
A maioria delas tem filhos "geminha mole", sabe?
Aqueles que moram na casa dos pais a vida toda e que aos 40 anos gritam do quarto pra mãe na cozinha
"Mãe, faz o meu ovo com geminha mole, por favor?"

Nenê Altro
O Diabo Sempre Vem Pra Mais um Drink