Era um dia como o de hoje, assim, com pouca luz solar, alguns carros passando na minha rua silenciosa e pouco movimenta. Eu chorava lágrimas doloridas e carregadas de uma saudade recém chegada. Ao anoitecer, fui para o meu quarto escolher a roupa. Uma calça preta e a primeira camiseta preta que encontrei. Nunca pensei que fosse escolher as roupas de um velório, o velório de meu próprio pai.
Eu já havia passado horas chorando, consolando minha mãe, meus irmãos, recebendo abraços de parentes que em minha casa estavam. Liguei para as minhas melhores amigas e ao velório elas foram.
Pensei que já havia chorado o suficiente, que minhas lágrimas já haviam secado e então a porta se abriu e elas jorraram pelo meu rosto ainda vermelho de dor. Neste momento eu não queria que ninguém me notasse, porém os soluços surgiram contra minha vontade, fazendo minhas pernas tremerem, pensei que não iria aguentar. Alguém, não lembro quem, me abraçou e me arrastou para perto do caixão. Posso dizer que essa foi a pior imagem que já vira. O corpo, o meu pai, ali, completamente imóvel, pálido, frio, totalmente sem vida. Me senti tão ridícula, tão incompetente, tão impotente, eu não poderia fazer absolutamente nada para ter ele de volta ao meu lado.
Hoje sei que meu pai está em paz, descansando em algum lugar. E eu sofri, ainda sofro com sua ausência. Minha vida está melhor, a dor está anestesiada, a saudade sei que será eterna, assim como meu orgulho por aquele homem que tanto me amou. Minha família... ah, ela está cicatrizada. Como ele mesmo dizia "a única certeza da vida, é a morte."
Queria poder lhe dizer tantas coisas, porém, nem mil palavras mais sinceras vão poder dizer o que eu sinto.
O peso das palavras,
condiz com o peso da morte que dói a alma.
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